DEFICIÊNCIA...

“A verdadeira deficiência está no abandono dos sonhos, da vontade de viver, do descaso ao proximo. A DEFICIÊNCIA é aquilo que te prende por dentro, que engessa sua alma, sua fé, pois ainda que incapacitados de andar, de enxergar, de ouvir ou de falar, todos somos livres para sonhar, para amar, para ajudar o proximo com uma palavra de afeto, um gesto, um carinho,um sorriso, um abraço.... e somos livres para voar, nas asas da nossa imaginaçao!”

por Marciah Pereira


Este blog é uma ferramenta de Inclusao, informaçao, troca e relacionamento.
Nao só para as pessoas que, assim como eu, tiveram a oportunidade de uma nova chance de vida e estao reaprendendo tudo, mas também, para todas as pessoas que tem interesse em trocar informaçoes, experiências e esclarecer dúvidas.
Para mim,mais uma superaçao!



Conto com a sua visita frequente, com a sua contribuiçao nos comentários dos meus posts, além de sugestoes para os próximos e para as entrevistas.


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Paulinho...

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Muito Prazer Cadeira de Rodas…

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Posted by Paulo Mauricio | Posted in , , , , ,

Foi muito difícil quando soube que  precisaria dela pro resto da minha vida…

Estava no hospital em SP e perguntei a Marciah como seria a minha vida a partir daquele momento…  espirituosa, habilidosa  e sensível, como ela é,  procurou me confortar e disse que teria o maior orgulho  em passear comigo na cadeira… sempre levando as coisas na brincadeira, tentando tirar o melhor de cada situaçao…

Lembro também da primeira vez que “fui apresentado” a minha cadeira. Eu ja tinha chegado no Rio. Meu neto o Igor providenciou um modelo  “moderno” e confortável.

Ela chegou linda e sorridente no hospital Rio Mar, entrou no quarto empurrando a cadeira e me disse: “Vamos descer e dar uma voltinha no seu “carro” novo… seu primeiro passeio tem que ser comigo!”

Foi estranho demais me ver diante daquela situaçao. Senti um misto de medo,  angústia, dor e ao mesmo tempo ânimo em poder sair para passear sem estar deitado na maca, sem estar numa ambulância. Eu poderia olhar pra frente, como todos. Há quase dois meses eu só sabia o que era olhar para os tetos.

Era uma tarde agradável, de dezembro. Ela foi conversando comigo todo o tempo, falando coisas positivas, tentando me colocar para cima. Falava da felicidade de poder compartilhar comigo aquele momento, que era tao novo para ela quanto para mim,  da importância de estar vivo e  de ser ela a me levar para passear pela primeira vez.

Nessa época eu ainda nao conseguia colocar minhas idéias em ordem para poder conversar adequadamente. Mas eu ouvia e olhava tudo. Era muito diferente para mim nao poder fazer aquele caminho de maos dadas com ela… apesar de querer me animar com o jeitinho dela,  era uma coisa que eu nao podia  controlar… Eu senti muita dor, muita tristeza……

Chegamos a área externa e, na lateral do hospital, havia uma alameda de árvores e ela resolveu me levar até lá. Para quem conhece a Marciah, sabe que vindo dela tudo pode ter uma conotaçao diferente,  até o primeiro passeio em cadeira de rodas que poderia ser angustiante ou  trágico pode virar algo agradável ou até mesmo uma comédia…

Ela foi entrando comigo entre a alameda, falando da beleza da tarde, do verde das árvores, do entardecer agradável… da felicidade daquele momento…

Nosso primeiro passeio foi realmente inesquecível e fez com que esquecesse aquela tristeza…  de repente nos vimos cercados e atacados por centenas  de mosquitos, muitos mesmo, como eu nunca havia visto em toda a minha vida. Desesperada, ela nao sabia se espantava os insetos ou empurrava a cadeira. Entao começou a correr, empurrando a cadeira,  rindo muito… Os mosquitos estavam grudados no nosso corpo, nos picando, estava famintos! Eu nao consegui espantar nenhum e ela tinha que tirar os que estavam grudados nela e em mim. Foi realmente muito engraçado…

Depois de toda a correria, já no saguao do hospital, caímos na gargalhada, as pessoas passavam, olhavam pra nós, com cara de espanto,  com certeza imaginando como  duas pessoas poderiam se divertir diante da doença e de uma cadeira de rodas…

Foi assim que eu conheci a minha cadeira e que comecei a ter força e certeza que me desvencilharia dela aos poucos, nao sabia como, mas sabia que conseguiria.

Ainda preciso dela para longos trajetos e continua me incomodando a forma como as pessoas me olham quando estou sentado nela. Aliás as pessoas nao se dao conta de que pela expressao facial, posso perceber que me olham como se estivessem vendo uma “coisa rara”, algo sujo,  muito incomum, alguém digno de pena…

E foi assim que ao dizer “Muito prazer cadeira” pude ser apresentado também ao preconceito, às caras feias e expressoes de pena para nós cadeirantes  e a falta de acessibilidade!

 

Praia para Todos… ressocializando!

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Posted by Paulo Mauricio | Posted in , , , , , , ,

Fico lembrando daquelas vezes que eu ia à praia,   jogava o meu volley ou futebol e depois de uma cansativa partida, corria para a água e  mergulhava… era uma sensaçao maravilhosa… que me refrescava e reenergizava… que saudade…

Quantas pessoas  tem todas as condiçoes físicas e psíquicas ditas normais e nao aproveitam a  vida, perdem seu precioso tempo reclamando, remoendo passados, dores, vivendo de mágoas, trancadas dentro de casa, trancadas dentro de si …

Há quanto tempo você nao caminha na areia, observa o mar, mergulha…???

Mais um verao veio, só que nesse eu nao pude entrar no mar, já havia tido 2 oportunidades anteriores, uma com os meus amigos Zé Luiz e Everson e a outra com o meu cunhado Marcelo… A Marciah, incansável e paciente como sempre,  me levou à praia um dia bem cedinho… Foram 25 minutos para alcançar a beira do mar aqui no Posto 4 nos meus passinhos de tartaruga, mas nao deu pra entrar na água,  ela sozinha nao conseguiria me ajudar.. ficamos muito frustrados…

Assitindo a novela “Viver a Vida”, fiquei sabendo do “Praia para Todos”   e, desde entao, a inquietaçao e a curiosidade tomaram conta de mim.

Pesquisei no Google,  li sobre essa iniciativa da ong “Novo Ser”… e que bela iniciativa!! Encontrei o site, me cadastrei, recebi o retorno da Nena e do Ricardo Gonzalez, que foram super atenciosos e me informaram que o “Praia para Todos” estaria aqui em Copacabana, no Posto 5, durante todo o mês de abril..

Oba!!!!! Tudo bem que mergulhar tinha ficado para trás, junto com tantas outras coisas que eu gostava de fazer, mas chegava a hora do meu tao sonhado banho de mar

E a ansiedade só aumentava, mas dia 4, que seria o primeiro dia, foi domingo de Páscoa e consequentemente nossas obrigaçoes religiosas, o almoço em família…etc e tal.  No dia 11,  saímos daqui do BPeixoto e a Marciah foi me empurrando na cadeira até o Posto 5. Chegamos lá e a grande decepçao, por causa da ressaca nao houve o projeto. Ainda nao foi naquele dia que eu entrei no mar…  mas nao perdemos o domingo, ela me levou até o Arpoador, passeamos, fizemos algumas fotos… como sempre ela nunca me deixa perder o ânimo.

Terceiro domingo de abril!

Chegou o grande dia!!!  Um lindo domingo, céu de brigadeiro!

A Márciah acordou um pouco cansada (na véspera foi a festa de aniversário da  Danielle  e dormimos bem tarde),  sugeriu que fossemos de Metrô, porque empurrar cadeira de rodas aqui pelas ruas é uma verdadeira maratona… coitada… e coitado de mim tambem que  vou pulando que nem pipoca… Entramos na estaçao  Siqueira Campos, ao lado de casa,  descemos uma estaçao depois, na Cantagalo… foram 15 minutos procurando um funcionário do Metrô para nos ajudar a sair para a rua… o elevador para deficientes estava quebrado e nao havia nenhuma indicaçao, nao havia ninguém para colocar a minha cadeira na escada rolante… mas depois de tanto esperar, desistimos… mas nao da praia…

Ainda na plataforma, bastante chateados, esperamos o próximo trem e nos dirigimos até a próxima estaçao, Ipanema. Nao sabíamos que a saída pela  Bulhoes de Carvalho nao tem acesso para deficientes. Além de nao possuir elevador até a rua,  o elevador que leva até os dois lances de escada rolante, estava inoperante… e o pior disso tudo, pasmem, a estaçao acabou de ser inaugurada e nao se preocuparam com a acessibilidade para cadeirantes nesta saída... mas sobre o Metrô Rio, falarei em um novo post.

Apesar dos infortúnios, ainda tinha certeza que valeria a pena ir à praia…

Foi difícil chegar até a Atlântica, até porque  acesso pela Rua Souza Lima ao calçadao da orla, nao  existe. O meio fio tem cerca de 25 cm de altura, teríamos que andar bastante até o próximo sinal, onde conseguiríamos atravessar, mas era longe…nossa quanta dificuldade para um cadeirante…  Nao bastasse a dificuldade em subir e descer os 25 cm de meio fio,  esbarramos com mais um problema. A ciclovia também tem meio fio alto. Mas as vezes aparece uma boa alma que ajuda a suspender a cadeira…. e apareceu, claro!

O Banho de Mar foi diferente,  entrar sem andar …. mas gostoso do mesmo jeito…aquelas ondas batendo… fiquei lá quase 30 minutos, eles ficariam  mais tempo comigo, na maior boa vontade,  mas a Marciah sugeriu que saíssemos, pois outras pessoas tambem aguardavam… mas  ficou um gostinho de quero mais…

Só tenho a agradecer muito a Deus por isso, foi mais uma  consquista e mais uma superaçao… e, apesar de nao ser mais quem eu era antes em muitos aspectos, eu estou ótimo e feliz.

Nao tenho  palavras para descrever a Equipe do “Praia para Todos”… o mínimo que posso dizer é que  todos sao super gentis carinhosos e interessados. Em especial, preciso agradecer aos três jovens que cuidaram de mim,  a Sarah, a Perla e o Denis, que foram adoráveis o tempo todo e a Marciah, claro, porque se nao fosse a perseverança e pela boa vontade dela em me levar para passear, isso também nao teria acontecido.  Muito obrigado por realizarem mais este sonho!!!!

E fica uma coisa a pensar… ás vezes um deficiente físico tem uma família  e ninguém dessa família se predispoe a perder algumas horas, de um dia qualquer, para o levar para um passeio, para tomar um sorvete que seja ou um café na esquina… e aí, este grupo voluntariado do “Praia para Todos”,  que trabalha e estuda durante a semana,  se predispoe a nos conceder os domingos deles, proporcionando momentos  maravilhosos para todos nós… e sem pedir nada em troca… sem nunca ter recebido nada de nenhum de nós…

Muito obrigado a vocês do “Praia para Todos”!

Clique nas fotos para ampliá-las.

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Acima, Denis, Perla, Sarah e eu… “Praia para Todos” é o máximo!

Um pouco tímido no depoimento…

O hoje é uma realidade, o amanha, uma quimera!

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Posted by Paulo Mauricio | Posted in , ,

Eu nunca imaginei a possibilidade de ficar doente, muito menos deficiente físico.

O fato é que ninguém quer pensar nisso, mas eu gostaria de ter pensado... e, com certeza absoluta, teria valorizado muito mais as coisas simples da vida, as coisas que eu mais gostava de fazer... teria modificado muitas coisas há muito, porque hoje eu sinto falta de nao ter aproveitado melhor o meu tempo, sempre preocupado em agradar os outros, em fazer pelos outros, muitas vezes esquecendo de mim...

Como era bom ser livre, poder pedalar... a liberdade de sentir o vento no rosto... e depois ir até um quiosque na orla, comprar um côco e beber a água refrescante... ou quem sabe segurar a garrafa de água mineral e torcer a tampinha para abrir... Pois é, eu devia ter pedalado mais, ter jogado mais futebol, ter dançado mais... ter bebido mais água mineral... mais long necks...

Era tao corriqueiro poder abaixar e pegar uma coisa que caiu.... e tem gente que derruba as coisas e segue adiante como se nada tivesse acontecido!!!

Era bom demais a privacidade do meu banho, deixar a agua correr e eu ali, totalmente sozinho... poder me ensaboar com as duas mãos e depois escovar meus dentes, colocar a pasta de dentes na escova!!!

Deveria ter molhado mais as plantas dos jardins nos fins de tarde, sentindo aquele cheirinho de terra molhada...

Sinto falta dos nossos domingos no Rio, de acordar cedo, da caminhada que fazíamos antes da praia daqui de Copa até o Leblon, dos mergulhos no mar... sinto falta dos sábados em que eu a deixava dormindo enquanto ia comprar frutas e trazia sempre uma flor para colocar na bandeja do café da manha que eu preparava pra ela...

Não espere para pensar que isso pode acontecer com você, para que você mude de atitude perante as pessoas e as coisas que estao na sua frente.

Aproveite mais a sua vida, viva o hoje com intensidade, sem perder a responsabilidade. Chega de sentir depressao, tristeza, desanimo! Olhe ao seu redor, com certeza os seus problemas sao muito menores do que os de muitos.

O que voce pode fazer para melhorar a situaçao que voce esta vivendo? Nada??? E se eu tivesse me acomodado aceitando as palavras dos medicos e nao tivesse reagido,lutado?

Levante a cabeça, olhe para cima, respire fundo, recomece!

Aprenda a nao sofrer pelas coisas que voce nao detem o controle, porque essas, nao dependem de voce para ficarem melhores!

Sofra pelas coisas que voce pode modificar e depois que as modificá-las, fique muito feliz!

O hoje é uma realidade, o amanha, uma quimera! Entao, Carpe Diem!

(((Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. .)))